O autor solicitou ser mantido em off, assim que publico apenas trechos:
“Olá, Paulo Cezar.
“Li com alegria o seu artigo “Eleição de Dilma é a maior vitória do lulismo no Brasil”… Apenas penso que você generalizou quando usou a expressão religiosidade para dizer que isso é terreno da direita.
“No Brasil a religiosidade é terreno da esquerda (graças a Deus). Se há alguns que se usam dela para o conservadorismo e a direita, há outras, e mais, que ajudaram muito no Lulismo, especialmente no resgate da cidadania dos mais pobres.
“Paulo Cezar, não entenda como crítica, mas apenas um complemento ao seu artigo.
“Um abraço.”
A manifestação tem origem em meu artigo anterior, de balanço das eleições. Lá escrevi: “Temendo ser invadida em seus espaços de atuação e apoio eleitoral (o que já vinha ocorrendo com os mais de 80% de aprovação de Lula), a direita se viu obrigada a, pela primeira vez, defender-se em seu próprio terreno. O terreno do preconceito. Do conservadorismo. Da “ética”. Da religiosidade e da hipocrisia na questão do aborto….”
A religião e a esquerda – De fato, a generalização feita não está correta. A religiosidade como um todo não é um terreno da direita. Há diversos e importantes setores religiosos, na Igreja Católica e em outras religiões, que se coadunam com princípios e preocupações de esquerda. Não tenho acompanhado as mudanças que vem ocorrendo na religiosidade do povo, mas correntes como a Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, por exemplo, foram fundamentais para a construção do Brasil que temos hoje. Tiveram papel decisivo nos primeiros passos do PT e dos movimentos sociais em todo o país.
Por outro lado, talvez porque eu tenha inflexionado num sentido, também não posso me colocar de acordo quando a carta diz “No Brasil a religiosidade é terreno da esquerda (graças a Deus).” Faltou, nesta correção, a afirmação de que a religiosidade TAMBÉM é terreno da esquerda no Brasil.
Religião sem hipocrisia – De qualquer modo, penso que este debate é extremamente necessário. A esquerda não pode, em face à religiosidade, reproduzir a mesma hipocrisia que a direita, só que com sinal inverso. Se se trata de construir um Brasil de Todos, é preciso pensar o tema da religiosidade dentro deste Brasil.
Na igreja católica, olhando de fora, a sensação é que, na última década, houve uma reação conservadora e uma diminuição dos espaços dos setores eclesiais mais vinculados às lutas sociais e à esquerda. Faz tempo que não se ouve mais falar, por exemplo, em Teologia da Libertação ou mesmo na realização de trabalhos mais visíveis das comunidades de base da igreja. A manifestação do Papa (ou o uso que fizeram dela para a campanha de Serra), a instrumentalização da questão do aborto e todas as baixarias lançadas contra Dilma na campanha, tomando por base a religiosidade do povo brasileiro, talvez tenha sido um dos piores momentos da história do catolicismo no Brasil, mas não podemos pensar que isso é fortuito. Pelo contrário, encarar com seriedade esse assunto é mais que urgente.
Imagino que o cenário não seja muito diferente em outros segmentos da religiosidade do povo. Os evangélicos, por exemplo, vem crescendo ano a ano. E também não podemos simplesmente imputar esse crescimento a uma manipulação dos desejos e sentimentos do povo. Entender estas manifestações, sem preconceitos e sem a busca da instrumentalização política talvez venha a ser uma chave para a afirmação de uma renovação cultural religiosa do povo brasileiro.
domingo, 7 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A cor do mapa, por Marcos Coimbra
Marcos Coimbra
Enquanto proliferam explicações e opiniões a respeito da vitória de Dilma, é preciso estar atentos aos fatos. Sem eles, ficam somente as impressões e as versões.
Algumas sequer nascem da interpretação de alguém, com a qual se pode concordar ou discordar. São as mais perigosas, pois não estão claramente marcadas com um sinal de autoria. Por não tê-lo, terminam parecendo verdades naturais, como se fossem apenas “dados de realidade”.
Tome-se o modo como a mídia costuma apresentar os resultados da eleição, sempre através de mapas. Todos os veículos os usam, colorindo os estados onde Dilma ganhou de uma cor e aqueles onde Serra se saiu melhor de outra. Não por acaso, pintam os primeiros de vermelho e os outros de azul.
Vistos sem maior reflexão, esses mapas mostram um retrato enganoso da eleição. Pior, podem induzir a uma impressão equivocada e a versões incorretas sobre a eleição que acabamos de fazer.
O que vemos é um Brasil dividido quase ao meio, ao longo de uma linha que começa no Acre, passa pela divisa norte de Rondônia, Mato Grosso e Goiás, e vai até o Atlântico, na altura do Espírito Santo. Abaixo dela, tudo fica azul, salvo o Rio de Janeiro, Minas Gerais e o pequeno Distrito Federal.
O Brasil vermelho inclui o restante do Norte (interrompido pelo azul de Roraima) e o conjunto do Nordeste. Esse seria o Brasil da Dilma, enquanto o outro, o de Serra.
É fato que Serra venceu no conjunto nos estados do Sul e em quase todos do Centro-Oeste, assim como em São Paulo e no Espírito Santo. Mas isso está longe de querer dizer muito sobre o significado da eleição.
Certamente, nada tem a ver com uma tese muito cara a alguns analistas, segundo a qual Dilma deveria sua vitória ao “Brasil atrasado” e ao eleitor miserável. Como esses mapas revelariam, o Brasil azul, o mais rico e moderno, preferia Serra. Foi o pobre e arcaico, o vermelho, que impediu que ele se tornasse presidente.
Essa visualização da eleição corrobora, assim, uma visão dualista e preconceituosa, muito frequente na mídia e em parte da opinião pública. Nela, a derrota do azul pelo vermelho viria da mistura de paternalismo e demagogia promovida por Lula e sustentada pelo Bolsa Família. Os mapas coloridos seriam a evidência de que sua estratégia foi bem sucedida, apesar de imoral.
Quem considera os números da eleição vê outra realidade. Dilma não venceu “por causa” do Nordeste e do Norte. Ela venceu porque venceu nos “dois Brasis”.
O modo mais imediato de mostrar isso é comparar o voto que ela obteria se fossemos (como alguns até desejam) dois países: o Brasil sem o Nordeste e o Norte, e o Brasil por inteiro. Nessa hipótese, como seriam os resultados?
Ao contrário do que certas pessoas imaginam, Dilma teria sido igualmente eleita se o Nordeste e o Norte não votassem. Ela não “precisou” do Brasil mais pobre para vencer.
Somando os votos do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, Dilma derrotou Serra. Ou seja: o predomínio da cor azul nessas regiões é verdadeiro, mas encobre uma realidade mais importante. Serra foi bem votado nesse conjunto de estados, mas perderia assim mesmo.
É com interpretações e versões que se conta a história de uma eleição. E é necessário evitar que prevaleça, a respeito das eleições presidenciais de 2010, uma versão que reduz seu significado e que não é verdadeira.
Dilma se elegeu com o voto de pessoas de todos os tipos, desde os eleitores mais humildes do interior e das cidades pequenas, até os setores mais educados e modernos de nossa sociedade, que vivem em metrópoles ricas e avançadas. Seu desempenho, segmento por segmento do eleitorado, não foi homogêneo (como não foi o de Serra), pois em uns ela se saiu melhor que em outros. Mas isso não invalida que sua candidatura tenha sido amplamente apoiada nos estratos de educação e renda elevados, como mostravam as pesquisas.
Mapas coloridos podem ser bonitos, mas, às vezes, mais atrapalham que ajudam.
[Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense]
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.
A religiosidade no Brasil, Dilma presidente, a direita e a esquerda
Paulo Cezar da Ro
Carta Capital
Recebi, em meu e-mail, uma carta crítica quanto à generalização que fiz de que a religiosidade é um terreno da direita. O debate é muito importante. Não há como se pensar a afirmação de uma nova hegemonia no Brasil sem repensar a religiosidade do povo, a sua incorporação no novo Brasil e no projeto de nação que estamos construindo.
Paulo Cezar da Rosa é jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda. É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
31 de Outubro de 2010: Dilma Roussef, primeira presidenta do Brasil!
Ivone Gebara *
Adital -
Adital -
A vitória de Dilma é uma grande conquista para muitas de nós mulheres e para o povo brasileiro. Conquista não apenas política, mas de afirmação de que as mulheres no Brasil passam agora a simbolizar o mais alto escalão do poder público do país. É claro que isto incomoda muita gente, inclusive mulheres, para as quais tal representação simbólica não é necessária. Mas, agora todos os irados e as incomodadas terão que lidar com esse fato: Dilma é nossa presidenta! Nossa alegria pela vitória está misturada com várias apreensões. Uma delas é em relação à imagem que parte da imprensa quer apresentar de Dilma pelo menos no momento. Além de acentuar seu percurso de guerrilheira a chefe da Casa Civil, a meu ver honroso, apresentam-na como "feita" por Lula, empurrada pelo sucesso do presidente, necessitada de Lula, seguidora fiel do presidente. Sem negar o imenso valor de Lula e de seu papel nessa eleição, muitos acentuam a meu ver uma dependência indevida, como se ela não tivesse trajetória política própria. Esquecem que sua história pessoal com seus acertos e erros a levaram a este cargo máximo da República. Esquecem-se que sua experiência de mulher pública se deu em instâncias diferentes do que a dos cargos políticos eleitos pelo povo. Ela não só conheceu os porões do poder ditatorial, mas as tramas políticas institucionais de diferentes tipos. Fez caminhos que nem sempre a grande imprensa quis conhecer e divulgar. Por isso, sua experiência diversa fará dela uma presidenta diferente.
Além disso, invertem o que se dizia no passado em relação aos grandes homens: "Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher"! Agora é em relação às mulheres: "Por trás de uma mulher política deve haver sempre um grande homem" (que deve estar no fundo à sua frente). Assim se pensa em relação à Cristina Kischner e agora em relação à Dilma, embora os contextos e situações sejam diferentes. Assim se pensou em relação à Indira Gandhi, a Michelle Bachelet e a tantas outras. Que homens estariam sustentando-as no poder? Ou que homens poderão sustentá-las no poder? Que homens lhes darão as boas idéias para dirigir o país e os melhores conselhos para decisões presentes e futuras? Que homens serão seus ministros e conselheiros? No fundo a cultura brasileira ainda guarda uma acentuada e preconceituosa hierarquia de gêneros e, sobretudo uma divisão valorativa entre o trabalho doméstico e o público. É com certa desconfiança que se entrega o poder político a uma mulher identificada simbolicamente com as lidas domésticas. E isso é ainda mais evidente quando ela não aparece acompanhada por seu "primeiro cavalheiro". Os presidentes da república em geral são acompanhados por suas primeiras damas mesmo que já estejam na terceira ou na quarta dama. Elas precisam aparecer ao seu lado como figuras decorativas e mesmo quando são mulheres de qualidade excepcional devem estar em geral caladas. Pouco se conhece da vida e do trabalho da maioria delas. O importante é salvar a aparência. E afirmar que se respeita uma ordem social estabelecida que muitas vezes é ordem fundada na hipocrisia. Mas, quando a presidenta eleita não tem "primeiro cavalheiro" e aparece andando sozinha apoiada nos próprios pés, íntegra e falando em nome da nação que a elegeu, os gigantes do poder só vêm uma alternativa para seu medo: desprestigiar essa mulher e nela as mulheres. Têm a audácia de mostrar propagandas representando-a como boneca oca ou com um homem desenhado no seu fundo. Não consideram a autonomia feminina, sua força criativa e suas capacidades pessoais. De todo jeito, lhe dão chances, sobretudo, se for rodeada de homens políticos cada um tentando abocanhar um pedaço da fatia pública política.
Se ela, Dilma, faz um discurso de agradecimento depois da eleição que para muitas pessoas foi uma verdadeira síntese de sua política na qual incluiu sua condição feminina e a de todas nós brasileiras, dizem que não houve nada de novo. Insistem em afirmar que o discurso foi lido, que é obra de muitas mãos ou que foi longo demais ou que não contemplou isso ou aquilo. Pode até ser em parte verdade. Mas, não há discursos universais e englobantes de toda a complexa realidade em que vivemos. Todo o discurso tem seus limites e seu ponto de vista imediato. No fundo, para muitos não se trata do discurso. É misoginia à flor da pele ou correndo pelas veias.
Atrevo-me a denunciar as muitas violências públicas em relação às mulheres como um ato político educativo preventivo nesse novo momento histórico. Igualmente é uma chamada de atenção para todos nós, mulheres e homens, em relação aos nossos preconceitos e a nossa incapacidade de acolher e provocar o diferente. Escrevo contra os muitos dragões poderosos que estão sempre preparados a lançar seu fogo destruidor acabando com as esperanças do povo e suas pequenas conquistas. Com certeza eles estão enfurecidos com a vitória de Dilma, a vitória de uma guerreira pela liberdade dos pobres, a vitória em parte representativa da força das regiões norte e nordeste afirmando sua cidadania e sua resistência. Também aqui se acusa o povo de ser ignorante e buscar apenas sua sobrevivência ou os favores do poder ou de seguir cegamente os líderes políticos do momento. Mas como ser politicamente consciente se a barriga está vazia? Como sobreviver se não há casa, comida e trabalho? Como sobreviver com o latifúndio, com os senhores ruralistas e com a mentira da propaganda consumista? O povo nortista e nordestino e outros provaram nesses últimos anos o gosto de uma cidadania incipiente apesar das inevitáveis contradições. E acreditaram que Dilma seria uma garantia para suas presentes e futuras conquistas.
Foram essas mulheres e esses homens da seca, dos mocambos, das palafitas, das ocas, dos terreiros, dos mangues com seus muitos aliados, que reconheceram em Dilma alguém capaz de, por sua história e suas lutas, sentir as dores do povo. Não sei como será seu governo. Não sei como será seu Ministério. Não sei como se conduzirá no futuro. Não sei igualmente que armações os dragões furiosos farão para derrubá-la ou para levantar falsos testemunhos contra ela.
Mas hoje ela está vestida de verde-amarelo, coroada com as vinte e sete estrelas que representam os estados do Brasil. Hoje, ela apareceu pisando nos dragões e com sua força interior conseguiu calar os seus urros e seu sarcasmo.
Reacende-se nossa esperança. Não vamos deixar Dilma sozinha. Vamos ser nós o povo organizado que governa o Brasil, o povo que opina, discute, sugere e cresce em conjunto. Sejamos muitas e muitos a organizar, a governar, a trabalhar a partir de nós mesmos. Temos que ser o que acreditamos que podemos ser. Começar mudando os nossos próprios comportamentos, com as pequenas coisas do dia a dia. Só assim podemos diminuir a força dos dragões e diminuir o medo que eles inspiram.
Para frente Dilma... Somos aliadas da mesma luta e da mesma esperança. Não estamos atrás de você, mas com você, ao seu lado nessa luta que é nossa.
Novembro de 2010.
Além disso, invertem o que se dizia no passado em relação aos grandes homens: "Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher"! Agora é em relação às mulheres: "Por trás de uma mulher política deve haver sempre um grande homem" (que deve estar no fundo à sua frente). Assim se pensa em relação à Cristina Kischner e agora em relação à Dilma, embora os contextos e situações sejam diferentes. Assim se pensou em relação à Indira Gandhi, a Michelle Bachelet e a tantas outras. Que homens estariam sustentando-as no poder? Ou que homens poderão sustentá-las no poder? Que homens lhes darão as boas idéias para dirigir o país e os melhores conselhos para decisões presentes e futuras? Que homens serão seus ministros e conselheiros? No fundo a cultura brasileira ainda guarda uma acentuada e preconceituosa hierarquia de gêneros e, sobretudo uma divisão valorativa entre o trabalho doméstico e o público. É com certa desconfiança que se entrega o poder político a uma mulher identificada simbolicamente com as lidas domésticas. E isso é ainda mais evidente quando ela não aparece acompanhada por seu "primeiro cavalheiro". Os presidentes da república em geral são acompanhados por suas primeiras damas mesmo que já estejam na terceira ou na quarta dama. Elas precisam aparecer ao seu lado como figuras decorativas e mesmo quando são mulheres de qualidade excepcional devem estar em geral caladas. Pouco se conhece da vida e do trabalho da maioria delas. O importante é salvar a aparência. E afirmar que se respeita uma ordem social estabelecida que muitas vezes é ordem fundada na hipocrisia. Mas, quando a presidenta eleita não tem "primeiro cavalheiro" e aparece andando sozinha apoiada nos próprios pés, íntegra e falando em nome da nação que a elegeu, os gigantes do poder só vêm uma alternativa para seu medo: desprestigiar essa mulher e nela as mulheres. Têm a audácia de mostrar propagandas representando-a como boneca oca ou com um homem desenhado no seu fundo. Não consideram a autonomia feminina, sua força criativa e suas capacidades pessoais. De todo jeito, lhe dão chances, sobretudo, se for rodeada de homens políticos cada um tentando abocanhar um pedaço da fatia pública política.
Se ela, Dilma, faz um discurso de agradecimento depois da eleição que para muitas pessoas foi uma verdadeira síntese de sua política na qual incluiu sua condição feminina e a de todas nós brasileiras, dizem que não houve nada de novo. Insistem em afirmar que o discurso foi lido, que é obra de muitas mãos ou que foi longo demais ou que não contemplou isso ou aquilo. Pode até ser em parte verdade. Mas, não há discursos universais e englobantes de toda a complexa realidade em que vivemos. Todo o discurso tem seus limites e seu ponto de vista imediato. No fundo, para muitos não se trata do discurso. É misoginia à flor da pele ou correndo pelas veias.
Atrevo-me a denunciar as muitas violências públicas em relação às mulheres como um ato político educativo preventivo nesse novo momento histórico. Igualmente é uma chamada de atenção para todos nós, mulheres e homens, em relação aos nossos preconceitos e a nossa incapacidade de acolher e provocar o diferente. Escrevo contra os muitos dragões poderosos que estão sempre preparados a lançar seu fogo destruidor acabando com as esperanças do povo e suas pequenas conquistas. Com certeza eles estão enfurecidos com a vitória de Dilma, a vitória de uma guerreira pela liberdade dos pobres, a vitória em parte representativa da força das regiões norte e nordeste afirmando sua cidadania e sua resistência. Também aqui se acusa o povo de ser ignorante e buscar apenas sua sobrevivência ou os favores do poder ou de seguir cegamente os líderes políticos do momento. Mas como ser politicamente consciente se a barriga está vazia? Como sobreviver se não há casa, comida e trabalho? Como sobreviver com o latifúndio, com os senhores ruralistas e com a mentira da propaganda consumista? O povo nortista e nordestino e outros provaram nesses últimos anos o gosto de uma cidadania incipiente apesar das inevitáveis contradições. E acreditaram que Dilma seria uma garantia para suas presentes e futuras conquistas.
Foram essas mulheres e esses homens da seca, dos mocambos, das palafitas, das ocas, dos terreiros, dos mangues com seus muitos aliados, que reconheceram em Dilma alguém capaz de, por sua história e suas lutas, sentir as dores do povo. Não sei como será seu governo. Não sei como será seu Ministério. Não sei como se conduzirá no futuro. Não sei igualmente que armações os dragões furiosos farão para derrubá-la ou para levantar falsos testemunhos contra ela.
Mas hoje ela está vestida de verde-amarelo, coroada com as vinte e sete estrelas que representam os estados do Brasil. Hoje, ela apareceu pisando nos dragões e com sua força interior conseguiu calar os seus urros e seu sarcasmo.
Reacende-se nossa esperança. Não vamos deixar Dilma sozinha. Vamos ser nós o povo organizado que governa o Brasil, o povo que opina, discute, sugere e cresce em conjunto. Sejamos muitas e muitos a organizar, a governar, a trabalhar a partir de nós mesmos. Temos que ser o que acreditamos que podemos ser. Começar mudando os nossos próprios comportamentos, com as pequenas coisas do dia a dia. Só assim podemos diminuir a força dos dragões e diminuir o medo que eles inspiram.
Para frente Dilma... Somos aliadas da mesma luta e da mesma esperança. Não estamos atrás de você, mas com você, ao seu lado nessa luta que é nossa.
Novembro de 2010.
* Escritora, filósofa e teóloga
Grandeza de ânimo
Dom Demétrio Valentini *
A hora é de magnanimidade. O momento é de respeitar, relevar, e perdoar. Todos convidados para a grandeza de ânimo. Publicados os resultados das eleições, urge festejar a democracia. Por mais frágil que tenha se mostrado durante a campanha, ela acabou se fortalecendo com esta eleição. Podemos fortificá-la mais ainda, se soubermos levar adiante as muitas lições que esta campanha nos deixa.
Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos resultados, disse textualmente: " Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles."
Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória. A nobre atitude do perdão, precisa vir acompanhada da lúcida constatação dos fatos, e dos desafios que eles nos apresentam.
Na verdade, a candidata Dilma Rousseff precisou enfrentar uma avalanche enorme de obstáculos, desencadeados sobretudo pela carga de preconceitos, cuja virulência surpreendeu, e mostrou quanto a sociedade brasileira ainda está impregnada de resíduos tóxicos da ditadura militar.
O fato de uma candidata ter sido vítima da truculência do regime ditatorial, em vez de servir de oportunidade para lavar a honra de todos os que foram presos arbitrariamente pela ditadura, acabou dando o pretexto para muitos se acharem no direito de vestirem a carapuça de torturadores, e descarregarem sobre a candidata o ódio destilado nos porões do regime militar.
Esta pesada constatação nos coloca um grande desafio. Muitos assim pensam e fazem sem terem culpa das motivações equivocadas que movem seus preconceitos. Não sabem o que foi a ditadura militar. A anistia foi pactuada. Mas de novo se comprova que ela não pode prescindir da memória histórica, que precisa ser cultivada e trabalhada, para que toda a sociedade, conscientemente, erradique no seu nascedouro as sementes da ditadura, que foram plantadas com eficácia pelo regime militar. Caso contrário, elas continuam germinando, e produzindo seus frutos maléficos. A Escola precisa ensinar a verdadeira história da ditadura militar.
Este trabalho só pode ser feito com sucesso, se vier acompanhado da garantia do perdão e da superação de todo e qualquer tipo de vingança. De novo, as circunstâncias apelam para a grandeza de ânimo, que não significa timidez ou subserviência.
O exercício da cidadania, em tempos de campanha eleitoral, precisa levar em conta as circunstâncias de cada um. O que se pede de todos é o voto. Mas existe largo espaço de atuação, visando fornecer critérios para o discernimento dos eleitores.
Atendendo ao apelo de minha consciência, também procurei dar minha pequena contribuição. Agradeço as milhares de manifestações, públicas ou particulares, que expressaram sua concordância com as ponderações que fui fazendo cada semana, ao longo da campanha. Agradeço também aos que sensatamente ponderaram suas divergências, às quais procurei responder com respeito e atenção.
Por outro lado, recebi também algumas furiosas contestações, e alguns ataques de caráter pessoal, carregados de ódio, e revestidos da presunção de seus autores de se julgarem os justiceiros da ira divina, para condenarem ao inferno todos os seus desafetos.
Pela exorbitância de suas acusações, devo avisá-los que mereceram destino menos solene que o inferno. De modo que ainda podem contar com meu perdão.
Além do mais, não me preocupo com julgamentos humanos. Como Davi, também prefiro mil vezes cair nas mãos de Deus, do que ser julgado pela justiça humana.
Mas o resultado dessas eleições nos convida a tirar muitas outras lições, que, estas sim, nos motivam a deixar de lado condenações ou represálias, e contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para levar em frente a nobre tarefa de construirmos juntos um Brasil justo e solidário.
Quem dá o exemplo é Dilma Rousseff, a candidata eleita Presidente do Brasil. Em seu discurso de domingo à noite, logo após a publicação dos resultados, disse textualmente: " Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles."
Estas palavras têm mais força do que todas as injúrias e difamações que a candidata recebeu durante a campanha. Tornam ainda mais expressiva sua vitória. A nobre atitude do perdão, precisa vir acompanhada da lúcida constatação dos fatos, e dos desafios que eles nos apresentam.
Na verdade, a candidata Dilma Rousseff precisou enfrentar uma avalanche enorme de obstáculos, desencadeados sobretudo pela carga de preconceitos, cuja virulência surpreendeu, e mostrou quanto a sociedade brasileira ainda está impregnada de resíduos tóxicos da ditadura militar.
O fato de uma candidata ter sido vítima da truculência do regime ditatorial, em vez de servir de oportunidade para lavar a honra de todos os que foram presos arbitrariamente pela ditadura, acabou dando o pretexto para muitos se acharem no direito de vestirem a carapuça de torturadores, e descarregarem sobre a candidata o ódio destilado nos porões do regime militar.
Esta pesada constatação nos coloca um grande desafio. Muitos assim pensam e fazem sem terem culpa das motivações equivocadas que movem seus preconceitos. Não sabem o que foi a ditadura militar. A anistia foi pactuada. Mas de novo se comprova que ela não pode prescindir da memória histórica, que precisa ser cultivada e trabalhada, para que toda a sociedade, conscientemente, erradique no seu nascedouro as sementes da ditadura, que foram plantadas com eficácia pelo regime militar. Caso contrário, elas continuam germinando, e produzindo seus frutos maléficos. A Escola precisa ensinar a verdadeira história da ditadura militar.
Este trabalho só pode ser feito com sucesso, se vier acompanhado da garantia do perdão e da superação de todo e qualquer tipo de vingança. De novo, as circunstâncias apelam para a grandeza de ânimo, que não significa timidez ou subserviência.
O exercício da cidadania, em tempos de campanha eleitoral, precisa levar em conta as circunstâncias de cada um. O que se pede de todos é o voto. Mas existe largo espaço de atuação, visando fornecer critérios para o discernimento dos eleitores.
Atendendo ao apelo de minha consciência, também procurei dar minha pequena contribuição. Agradeço as milhares de manifestações, públicas ou particulares, que expressaram sua concordância com as ponderações que fui fazendo cada semana, ao longo da campanha. Agradeço também aos que sensatamente ponderaram suas divergências, às quais procurei responder com respeito e atenção.
Por outro lado, recebi também algumas furiosas contestações, e alguns ataques de caráter pessoal, carregados de ódio, e revestidos da presunção de seus autores de se julgarem os justiceiros da ira divina, para condenarem ao inferno todos os seus desafetos.
Pela exorbitância de suas acusações, devo avisá-los que mereceram destino menos solene que o inferno. De modo que ainda podem contar com meu perdão.
Além do mais, não me preocupo com julgamentos humanos. Como Davi, também prefiro mil vezes cair nas mãos de Deus, do que ser julgado pela justiça humana.
Mas o resultado dessas eleições nos convida a tirar muitas outras lições, que, estas sim, nos motivam a deixar de lado condenações ou represálias, e contribuir com tudo o que estiver ao nosso alcance para levar em frente a nobre tarefa de construirmos juntos um Brasil justo e solidário.
* Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira
terça-feira, 2 de novembro de 2010
O Papa foi instrumentalizado
Dom Tomás Balduíno *
Adital -
Adital -
O pior aconteceu nesse clima tenso, nervoso e apixonado de 2º turno: envolveram o Papa no nosso processo eleitoral. Nunca vi, em minha longa vida de bispo, um acontecimento como este. A coisa já está feita. Agora é esperar pelas consequências... O que houve de errado e que está criando uma grande perplexidade em nossa Igreja? Todos nós bispos sabemos que o ministério do Papa inclui uma relação direta com todos os féis católicos e com cada um deles, com plenos poderes. É seu carisma. Os comentários de vários bispos ao discurso de Bento XVI salientam isso. Sabemos, por outro lado, que no governo da Igreja são reconhecidas, como legítimas, as instâncias intermediárias, com poderes definidos pelo Direito canônico. Estas instâncias agem freqüentemente, com sabedoria, em base ao princípio de subsidiariedade, o que garante à Igreja um clima harmonioso e respeitoso levado pelo espírito de serviço, de comunhão e de colegialidade. Por esse princípio é dispensável o recurso à instância superior quando a instância colegiada pode resolver o problema, principalmente em casos complexos e espinhosos.
De fato, depois das denúncias contra a candidata Dilma Rousseff, por causa do aborto, houve apelos à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta, por sua Presidência, respondeu logo reafirmando "que a CNBB não indica nenhum candidato, e que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão". Houve um atrito, pela imprensa, entre Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales e D. Luís Bergonzini, bispo de Guarulhos. Dom Bergonzini, não satisfeito, talvez, com a nota ponderada da Presidência da Conferência tomou pessoalmente a decisão de recorrer diretamente ao Papa, com farta documentação, conforme ele declara a 12 de outubro.
Eis aí perigo! E já está armado. Ninguém nega este poder do Papa. O que causou estranheza a muitos de nós irmãos bispos foi o fato de envolver de forma simplista e apressada a pessoa do Papa numa conjuntura complexa, delicada e apaixonada, como esta do Brasil, às vésperas da eleição do 2º turno. A coisa pareceu até golpe de última hora, sem tempo de discutir o assunto. Isso tem antecedentes. Foi o golpe dado pela TV Globo no Lula, após o debate com o Collor, garantindo a este uma vitória fácil. Agora é possível que, no quadro de uma população majoritariamente católica, diante dos temas das imagens religiosas, do ensino religioso nas escolas, da moral do aborto, com as bênçãos do Papa, acabe saindo vitorioso o Serra, e derrotada a Dilma.
Afinal, estão em jogo só duas pessoas. Não há alternativa. O voto nulo nem é questão. Ou ganha a Dilma ou ganha o Serra. Em outras palavras a eventual retirada dos votos da Dilma significa claramente transferência de voto para o Serra e, provavelmente, a sua vitória.
Era uma vez uma mulher surpreendida em adultério. Congregaram-se contra ela várias pessoas importantes da cidade para apedrejá-la, conforme a lei. Era só ela, mulher, não o varão parceiro do adultério. Foi aí que irrompeu da multidão a voz enérgica e inesperada de um Profeta dizendo: "atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado".
A pergunta incômoda que está sendo levantada por toda parte é a seguinte: O Papa foi corretamente informado do que vai acontecer no Brasil com a vitória do Serra? Teve notícia do que as bases camponesas, indígenas, quilombolas, as organizações das mulheres e dos pobres estão esperando nesta hora?
Perguntaram ao Serra: "você vai fazer reforma agrária" Resposta: "vou fazer sim, mas sem o MST". Muitos de nós temos lembranças amargas da pomposa organização do campo na Ditadura militar, porém com a criminalização e a dura repressão das organizações sociais dos camponeses. No governo FHC não foi diferente. É o modelo em que o Serra se espelha. Falam tanto em vida, porém, para o projeto que o Serra assume como seu, a vida não entra como fundamento ético, menos ainda como prioridade política. Para que tudo esteja a serviço do mercado capitalista globalizado, o aprofundamento e alastramento da miséria e a devastação da Mãe Terra contam, no seu projeto, apenas como "custos naturais do progresso". A busca do progresso vem junto com a transformação, da água, das matas, da energia, enfim, de todo o acervo nacional em mercadoria que passa a integrar o patrimônio privado da minoria rica. Com relação ao aborto, o atual pomo da discórdia, nada garante que o Serra não liberalize a legislação sobre o aborto. Com efeito, foi assim que ele, o Fernando Henrique Cardoso e tantos outros "neoliberais" fizeram nos oito anos de governo.
Para terminar relembro o belo gesto de congratulação da Presidência da CNBB com o povo brasileiro pelo exercício da cidadania no 1º turno das eleições gerais. Como não formular votos para que hoje. mais do nunca, o povo brasileiro faça valer sua condição de sujeito democrático, adulto e autônomo neste histórico 2º turno?
De fato, depois das denúncias contra a candidata Dilma Rousseff, por causa do aborto, houve apelos à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Esta, por sua Presidência, respondeu logo reafirmando "que a CNBB não indica nenhum candidato, e que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão". Houve um atrito, pela imprensa, entre Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales e D. Luís Bergonzini, bispo de Guarulhos. Dom Bergonzini, não satisfeito, talvez, com a nota ponderada da Presidência da Conferência tomou pessoalmente a decisão de recorrer diretamente ao Papa, com farta documentação, conforme ele declara a 12 de outubro.
Eis aí perigo! E já está armado. Ninguém nega este poder do Papa. O que causou estranheza a muitos de nós irmãos bispos foi o fato de envolver de forma simplista e apressada a pessoa do Papa numa conjuntura complexa, delicada e apaixonada, como esta do Brasil, às vésperas da eleição do 2º turno. A coisa pareceu até golpe de última hora, sem tempo de discutir o assunto. Isso tem antecedentes. Foi o golpe dado pela TV Globo no Lula, após o debate com o Collor, garantindo a este uma vitória fácil. Agora é possível que, no quadro de uma população majoritariamente católica, diante dos temas das imagens religiosas, do ensino religioso nas escolas, da moral do aborto, com as bênçãos do Papa, acabe saindo vitorioso o Serra, e derrotada a Dilma.
Afinal, estão em jogo só duas pessoas. Não há alternativa. O voto nulo nem é questão. Ou ganha a Dilma ou ganha o Serra. Em outras palavras a eventual retirada dos votos da Dilma significa claramente transferência de voto para o Serra e, provavelmente, a sua vitória.
Era uma vez uma mulher surpreendida em adultério. Congregaram-se contra ela várias pessoas importantes da cidade para apedrejá-la, conforme a lei. Era só ela, mulher, não o varão parceiro do adultério. Foi aí que irrompeu da multidão a voz enérgica e inesperada de um Profeta dizendo: "atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado".
A pergunta incômoda que está sendo levantada por toda parte é a seguinte: O Papa foi corretamente informado do que vai acontecer no Brasil com a vitória do Serra? Teve notícia do que as bases camponesas, indígenas, quilombolas, as organizações das mulheres e dos pobres estão esperando nesta hora?
Perguntaram ao Serra: "você vai fazer reforma agrária" Resposta: "vou fazer sim, mas sem o MST". Muitos de nós temos lembranças amargas da pomposa organização do campo na Ditadura militar, porém com a criminalização e a dura repressão das organizações sociais dos camponeses. No governo FHC não foi diferente. É o modelo em que o Serra se espelha. Falam tanto em vida, porém, para o projeto que o Serra assume como seu, a vida não entra como fundamento ético, menos ainda como prioridade política. Para que tudo esteja a serviço do mercado capitalista globalizado, o aprofundamento e alastramento da miséria e a devastação da Mãe Terra contam, no seu projeto, apenas como "custos naturais do progresso". A busca do progresso vem junto com a transformação, da água, das matas, da energia, enfim, de todo o acervo nacional em mercadoria que passa a integrar o patrimônio privado da minoria rica. Com relação ao aborto, o atual pomo da discórdia, nada garante que o Serra não liberalize a legislação sobre o aborto. Com efeito, foi assim que ele, o Fernando Henrique Cardoso e tantos outros "neoliberais" fizeram nos oito anos de governo.
Para terminar relembro o belo gesto de congratulação da Presidência da CNBB com o povo brasileiro pelo exercício da cidadania no 1º turno das eleições gerais. Como não formular votos para que hoje. mais do nunca, o povo brasileiro faça valer sua condição de sujeito democrático, adulto e autônomo neste histórico 2º turno?
* Bispo Emérito de Goiás - GO. Presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Os desafios diante de Dilma
Leonardo Boff
Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados.
Post festum, cabe uma reflexão distanciada do que poderá ser o governo de Dilma Rousseff. Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituída.
Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura. A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Familia entre outras.
Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas, desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.
Não obtante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação.
Agora se coloca a questão: a Presidente aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?
Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidente compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva.
O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.
Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias(“mensalão”).
As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será dificil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios.
A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.
Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidente deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra.
Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidente irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador.
* Leonardo Boff é teólogo e escritor
domingo, 31 de outubro de 2010
Presidenta vai erradicar a miséria e fortalecer a economia
FOTO: Roberto Stuckert Filho
31.10.2010
A presidenta Dilma Rousseff, eleita com mais de 55,7 milhões de votos, afirmou após sua vitória que fará um governo com foco na erradicação da pobreza, no fortalecimento da economia nacional e fará esforços por uma reforma política que eleve os valores republicanos. A primeira mulher a assumir o comando do Brasil abriu seu discurso assumindo o compromisso de “honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural”, disse.
“Reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem. Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida”, afirmou.
A presidenta também alertou a nação que o reforço da economia brasileira terá que se dar pelo mercado interno, já que as nações desenvolvidas estão em dificuldades e continuarão assim por mais alguns anos e seguirão adotando medidas protecionistas. “No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas”, salientou.
Pré-sal
Dilma frisou que a riqueza do petróleo do pré-sal será direcionada principalmente para o desenvolvimento da nação e não será usado com projetos “efêmeros”. “O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas. Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas”, disse.
Ela reafirmou que se empenhará para melhorar a conduta política do Brasil e pediu apoio dos partidos políticos para aprovar uma reforma política. “Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia”, discursou.
A petista também reforçou seu compromisso com a liberdade de imprensa, de expressão e de credo. “Quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento. Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras”, frisou.
Lula
Emocionada, Dilma falou sobre sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou o que aprendeu com o maior líder que o país já teve.
“Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida. Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta”, concluiu.
Íntegra do pronunciamento da presidente eleita Dilma A- A+
FOTO: Roberto Stuckert Filho
Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,
É imensa a minha alegria de estar aqui. Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida. Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.
A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!
Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:
- Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
- Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
- Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
- Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
- Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões. O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família. É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.
Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte. A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.
O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro. Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.
Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.
No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.
Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.
Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.
É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.
Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.
Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos. Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.
Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público. Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo. Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.
As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.
Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.
Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.
Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas. Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde. Me comprometi também com a melhoria da segurança pública. Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.
Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos. Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.
A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade. É aquela que convive com o meio ambiente sem agredí-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.
Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa. Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.
Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.
Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.
Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.
Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.
Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho. Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.
Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.
Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.
Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado. Saberei consolidar e avançar sua obra.
Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo. Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união. União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.
Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.
Muito obrigada
Três mitos sobre a eleição de Dilma
Marcos Coimbra desfaz falsas análises a respeito da eleição da petista
Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa. Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.
Sim e não. Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.
Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.
Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.
O “economicismo” – O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo.
Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”
É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.
Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”
Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.
É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”.
Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.
Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).
A “segmentação” – O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.
Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.
Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.
Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.
As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.
Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil e não em razão de um segmento.
O “paternalismo” – O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família.
Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.
As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.
Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.
É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores.
Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa. Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.
Sim e não. Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.
Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.
Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.
O “economicismo” – O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo.
Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”
É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.
Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”
Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.
É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”.
Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.
Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).
A “segmentação” – O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.
Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.
Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.
Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.
As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.
Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil e não em razão de um segmento.
O “paternalismo” – O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família.
Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.
As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.
Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.
É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores.
Marcos Coimbra
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.
Eleição de Dilma é a maior vitória do lulismo no Brasil
Dilma venceu. Lula venceu. Depois do primeiro trabalhador, temos a primeira mulher na presidência do Brasil. Não foi uma vitória fácil
Fazer um balanço de uma campanha eleitoral ainda no calor dos acontecimentos é tarefa arriscada. Mas vamos ao desafio proposto por nosso editor.
Nova hegemonia – Estamos vivendo os primeiros dias de uma nova hegemonia no Brasil. Como dizia aquela música do Roberto e do Erasmo, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Agora, o Brasil tem um novo projeto de nação, capaz de ofertar oportunidades a todos os brasileiros. Daqui pra frente, crescimento econômico e justiça social não serão mais antagônicos, assim como sustentabilidade e desenvolvimento. O Brasil se lança no mundo moderno como um país capaz de enfrentar os desafios do mundo globalizado. Não é pouca coisa!
Tenho lido e ouvido muitas críticas ao nível dos debates nesta eleição. Posso concordar com algumas, mas em geral estou em desacordo. Penso que esta eleição teve o melhor e mais transparente debate político de todos. Acompanho eleições desde 1982. Esta foi a primeira em que os projetos foram explicitados. O argumento de que os debates não trataram das questões importantes, em geral é daqueles que não conseguiram pautar os rumos da campanha. Agora tentam desqualificar a decisão do eleitor, dizer que o voto foi no marketing e não na política.
Penso que ocorreu justamente o contrário. Pode não ter sido um debate muito aprofundado, mas foi o mais elevado possível dentro da nossa realidade. O eleitor, em 2010, votou consciente.
A direita no Brasil, em campanha eleitoral, sempre apresentou um discurso de centro-esquerda. Quando isso é possível, os debates eleitorais sempre são “muito bons”. Atendem, formalmente, os anseios do eleitor, que deseja uma política séria, comprometida com a justiça social, com o desenvolvimento e a democracia. O último debate na rede Globo é o maior exemplo disso. As diferenças entre Dilma e Serra se diluíram. Os dois apareceram como políticos esforçados, candidatos a fazer o melhor pelo Brasil e pelos brasileiros.
Entretanto, a marca desta campanha não foi esta. Tivemos um franco combate entre o lulismo e a direita brasileira. Uma guerra. Pela primeira vez, desde 1989, a direita apresentou-se aos eleitores brasileiros com sua própria cara, com seus preconceitos e propostas obscurantistas. E o lulismo, ao inverso, pôde se apresentar como realizador, como um sujeito político capaz de “seguir mudando”.
A guerra eleitoral – Uma campanha eleitoral é sempre uma guerra. O campo de batalha é a mente do eleitor. Até estas eleições, o discurso de “centro-esquerda” da direita obedecia à máxima do conservadorismo brasileiro: o poder se toma com a mão esquerda (frágil), e se exerce com a mão direita (forte). Em campanha, a direita sempre se apresentou com preocupação social, ao lado dos mais pobres, defensora de suas demandas mais importantes. Em 2010, Serra bem que tentou, fazendo propostas mirabolantes para o salário mínimo, a previdência, o Bolsa Família. Tentou, mas não conseguiu.
Nesta eleição, ao bancar a lógica plebiscitária, Lula conseguiu inverter a mão. O discurso de centro esquerda, que sempre foi ferramenta da direita em campanha, tornou-se instrumento do lulismo. Temendo ser invadida em seus espaços de atuação e apoio eleitoral (o que já vinha ocorrendo com os mais de 80% de aprovação de Lula), a direita se viu obrigada a, pela primeira vez, defender-se em seu próprio terreno. O terreno do preconceito. Do conservadorismo. Da “ética”. Da religiosidade e da hipocrisia na questão do aborto.
O posicionamento multipolar de Serra tem origem nesta mudança estrutural na correlação de forças no Brasil. Serra amanhecia Opus Dei e dormia apoiando o que o “Lula tem de bom”. Iniciava o dia com um discurso do DEM e terminava a noite com “Serra é do bem”. Ao longo do dia apresentava “mil caras” entre a extrema-direita e a centro-esquerda.
A campanha Dilma – Não tenho ideia de quem foi a condução da campanha no dia a dia. Gerenciar uma campanha presidencial é sempre uma tarefa muito complexa. Mas se foi João Santana o condutor do marketing, parabéns!
Na passagem para o segundo turno tecemos algumas considerações sobre a necessidade de introduzir mudanças na campanha. Grosso modo, todas as medidas que conseguimos vislumbrar naquele momento foram implementadas. E o ataque reacionário usando a Igreja -até o Papa foi mobilizado- foi contornado com maestria pelo marketing de Dilma.
Foi uma campanha conduzida com firmeza e tranquilidade. O eleitor votou sabendo o que pode esperar de Dilma. E isso, numa eleição, é sempre o mais importante. Quando o candidato estabelece uma conexão sólida com o eleitor, baseada na verdade, não há desconstrução de imagem que funcione. Dilma, há cerca de dois anos, não era ninguém do ponto de vista eleitoral. Hoje, é tudo.
O papel da velha mídia – Tratando das eleições gaúchas há cerca de um ano, afirmei que estas seriam as eleições mais livres que já tivemos porque a mídia estava perdendo o controle da opinião pública e, principalmente, já não controla os setores emergentes na sociedade brasileira.
De fato, foi isso o que ocorreu. O episódio da bolinha de papel, que a campanha Serra tentou utilizar para inverter a tendência de derrota que já se apresentava, foi exemplar nesse sentido. Fossem outros os tempos, a versão apresentada pela rede Globo se afirmaria como verdadeira. E os rumos do processo poderiam ter sido alterados.
A mídia velha acabou por fazer um triste papel nestas eleições, o de dar guarida para o terrorismo midiático-ideológico que a campanha Serra desencadeou ao ver suas cidadelas ameaçadas. Mas seu papel acabou por ser menor. A tal ponto que agora, passadas as eleições, chega a ser ridículo assistir os comentaristas políticos da Globo News acusando Lula de ter feito campanha.
Quando ficou evidente a ineficácia da velha mídia, a direita foi obrigada a apelar para outras ferramentas. Foi por não conseguir reverter as tendências com o “simples” apoio dos jornalões e da Globo que a campanha Serra apelou para o telemarketing, a panfletaria apócrifa, os vídeos terroristas na internet.
A internet e o futuro – Sou de uma geração que apostou na luta política e na disputa do poder através do voto. A geração anterior a minha pensava a luta com outros métodos, adequados (ou não) para seu momento histórico. Herdeiros desta experiência, apostamos no convencimento, no argumento, na solidariedade, no voto, na democracia.
No início desta eleição, o efeito que a vitória de Obama trouxe sobre o potencial eleitoral da internet criou muitas ilusões a respeito deste meio de comunicação. Embalados pelo exemplo americano, feito “happy monkeys”, os candidatos gastaram muito dinheiro para, no final das contas, produzir spam.
A internet cumpriu um grande papel, mas não da forma que se pensava. Tudo por um motivo muito simples. Uma mensagem, para ser aceita, precisa ter credibilidade. Foram as publicações, os blogs e as pessoas com credibilidade, através do twitter e das redes sociais, que tiveram importância e influíram no curso dos acontecimentos.
Iniciativas como a do professor que gravou as imagens da Globo e as analisou, mostrando a manipulação, de um lado, e desta publicação, posicionando-se abertamente em favor de Dilma, desde o início do processo, fizeram a diferença nestas eleições.
A vitória deste domingo é a primeira grande vitória política do lulismo no Brasil. É pedra fundamental de uma nova hegemonia. Assim como o jornal e o rádio foram as ferramentas de comunicação da política de substituição das importações em meados do século passado e a televisão foi o instrumento de modernização autoritária da Ditadura Militar no final do século, hoje, a comunicação digital, a comunicação em rede, pode ajudar a construir o novo Brasil e consolidar essa nova hegemonia que está nascendo.
Fazer um balanço de uma campanha eleitoral ainda no calor dos acontecimentos é tarefa arriscada. Mas vamos ao desafio proposto por nosso editor.
Nova hegemonia – Estamos vivendo os primeiros dias de uma nova hegemonia no Brasil. Como dizia aquela música do Roberto e do Erasmo, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Agora, o Brasil tem um novo projeto de nação, capaz de ofertar oportunidades a todos os brasileiros. Daqui pra frente, crescimento econômico e justiça social não serão mais antagônicos, assim como sustentabilidade e desenvolvimento. O Brasil se lança no mundo moderno como um país capaz de enfrentar os desafios do mundo globalizado. Não é pouca coisa!
Tenho lido e ouvido muitas críticas ao nível dos debates nesta eleição. Posso concordar com algumas, mas em geral estou em desacordo. Penso que esta eleição teve o melhor e mais transparente debate político de todos. Acompanho eleições desde 1982. Esta foi a primeira em que os projetos foram explicitados. O argumento de que os debates não trataram das questões importantes, em geral é daqueles que não conseguiram pautar os rumos da campanha. Agora tentam desqualificar a decisão do eleitor, dizer que o voto foi no marketing e não na política.
Penso que ocorreu justamente o contrário. Pode não ter sido um debate muito aprofundado, mas foi o mais elevado possível dentro da nossa realidade. O eleitor, em 2010, votou consciente.
A direita no Brasil, em campanha eleitoral, sempre apresentou um discurso de centro-esquerda. Quando isso é possível, os debates eleitorais sempre são “muito bons”. Atendem, formalmente, os anseios do eleitor, que deseja uma política séria, comprometida com a justiça social, com o desenvolvimento e a democracia. O último debate na rede Globo é o maior exemplo disso. As diferenças entre Dilma e Serra se diluíram. Os dois apareceram como políticos esforçados, candidatos a fazer o melhor pelo Brasil e pelos brasileiros.
Entretanto, a marca desta campanha não foi esta. Tivemos um franco combate entre o lulismo e a direita brasileira. Uma guerra. Pela primeira vez, desde 1989, a direita apresentou-se aos eleitores brasileiros com sua própria cara, com seus preconceitos e propostas obscurantistas. E o lulismo, ao inverso, pôde se apresentar como realizador, como um sujeito político capaz de “seguir mudando”.
A guerra eleitoral – Uma campanha eleitoral é sempre uma guerra. O campo de batalha é a mente do eleitor. Até estas eleições, o discurso de “centro-esquerda” da direita obedecia à máxima do conservadorismo brasileiro: o poder se toma com a mão esquerda (frágil), e se exerce com a mão direita (forte). Em campanha, a direita sempre se apresentou com preocupação social, ao lado dos mais pobres, defensora de suas demandas mais importantes. Em 2010, Serra bem que tentou, fazendo propostas mirabolantes para o salário mínimo, a previdência, o Bolsa Família. Tentou, mas não conseguiu.
Nesta eleição, ao bancar a lógica plebiscitária, Lula conseguiu inverter a mão. O discurso de centro esquerda, que sempre foi ferramenta da direita em campanha, tornou-se instrumento do lulismo. Temendo ser invadida em seus espaços de atuação e apoio eleitoral (o que já vinha ocorrendo com os mais de 80% de aprovação de Lula), a direita se viu obrigada a, pela primeira vez, defender-se em seu próprio terreno. O terreno do preconceito. Do conservadorismo. Da “ética”. Da religiosidade e da hipocrisia na questão do aborto.
O posicionamento multipolar de Serra tem origem nesta mudança estrutural na correlação de forças no Brasil. Serra amanhecia Opus Dei e dormia apoiando o que o “Lula tem de bom”. Iniciava o dia com um discurso do DEM e terminava a noite com “Serra é do bem”. Ao longo do dia apresentava “mil caras” entre a extrema-direita e a centro-esquerda.
A campanha Dilma – Não tenho ideia de quem foi a condução da campanha no dia a dia. Gerenciar uma campanha presidencial é sempre uma tarefa muito complexa. Mas se foi João Santana o condutor do marketing, parabéns!
Na passagem para o segundo turno tecemos algumas considerações sobre a necessidade de introduzir mudanças na campanha. Grosso modo, todas as medidas que conseguimos vislumbrar naquele momento foram implementadas. E o ataque reacionário usando a Igreja -até o Papa foi mobilizado- foi contornado com maestria pelo marketing de Dilma.
Foi uma campanha conduzida com firmeza e tranquilidade. O eleitor votou sabendo o que pode esperar de Dilma. E isso, numa eleição, é sempre o mais importante. Quando o candidato estabelece uma conexão sólida com o eleitor, baseada na verdade, não há desconstrução de imagem que funcione. Dilma, há cerca de dois anos, não era ninguém do ponto de vista eleitoral. Hoje, é tudo.
O papel da velha mídia – Tratando das eleições gaúchas há cerca de um ano, afirmei que estas seriam as eleições mais livres que já tivemos porque a mídia estava perdendo o controle da opinião pública e, principalmente, já não controla os setores emergentes na sociedade brasileira.
De fato, foi isso o que ocorreu. O episódio da bolinha de papel, que a campanha Serra tentou utilizar para inverter a tendência de derrota que já se apresentava, foi exemplar nesse sentido. Fossem outros os tempos, a versão apresentada pela rede Globo se afirmaria como verdadeira. E os rumos do processo poderiam ter sido alterados.
A mídia velha acabou por fazer um triste papel nestas eleições, o de dar guarida para o terrorismo midiático-ideológico que a campanha Serra desencadeou ao ver suas cidadelas ameaçadas. Mas seu papel acabou por ser menor. A tal ponto que agora, passadas as eleições, chega a ser ridículo assistir os comentaristas políticos da Globo News acusando Lula de ter feito campanha.
Quando ficou evidente a ineficácia da velha mídia, a direita foi obrigada a apelar para outras ferramentas. Foi por não conseguir reverter as tendências com o “simples” apoio dos jornalões e da Globo que a campanha Serra apelou para o telemarketing, a panfletaria apócrifa, os vídeos terroristas na internet.
A internet e o futuro – Sou de uma geração que apostou na luta política e na disputa do poder através do voto. A geração anterior a minha pensava a luta com outros métodos, adequados (ou não) para seu momento histórico. Herdeiros desta experiência, apostamos no convencimento, no argumento, na solidariedade, no voto, na democracia.
No início desta eleição, o efeito que a vitória de Obama trouxe sobre o potencial eleitoral da internet criou muitas ilusões a respeito deste meio de comunicação. Embalados pelo exemplo americano, feito “happy monkeys”, os candidatos gastaram muito dinheiro para, no final das contas, produzir spam.
A internet cumpriu um grande papel, mas não da forma que se pensava. Tudo por um motivo muito simples. Uma mensagem, para ser aceita, precisa ter credibilidade. Foram as publicações, os blogs e as pessoas com credibilidade, através do twitter e das redes sociais, que tiveram importância e influíram no curso dos acontecimentos.
Iniciativas como a do professor que gravou as imagens da Globo e as analisou, mostrando a manipulação, de um lado, e desta publicação, posicionando-se abertamente em favor de Dilma, desde o início do processo, fizeram a diferença nestas eleições.
A vitória deste domingo é a primeira grande vitória política do lulismo no Brasil. É pedra fundamental de uma nova hegemonia. Assim como o jornal e o rádio foram as ferramentas de comunicação da política de substituição das importações em meados do século passado e a televisão foi o instrumento de modernização autoritária da Ditadura Militar no final do século, hoje, a comunicação digital, a comunicação em rede, pode ajudar a construir o novo Brasil e consolidar essa nova hegemonia que está nascendo.
Paulo Cezar da Rosa
Paulo Cezar da Rosa é jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda. É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br
Dilma Rousseff presidenta do Brasil
Celso Marcondes31 de outubro de 2010 às 19:35h
Pela primeira vez na nossa história, uma mulher é eleita para a presidência da República. Por Celso Marcondes. Foto: Roberto Stuckert Filho/ Divulgação
[Atualizada às 21h30]
Pela primeira vez na nossa história, uma mulher é eleita para a presidência da República
Dilma Rousseff é a presidenta eleita do Brasil. Às 21h30 deste domingo 31 de outubro, com 98,97% dos votos apurados, ela tem 55,96% dos votos válidos contra 44,01% de José Serra.
Ela será a primeira mulher a assumir o cargo na história do País. A maioria dos brasileiros decidiu pela continuidade do governo Lula. Ele será sucedido por aquela que coordenou seu ministério nos últimos anos e que foi escolhida candidata pelo próprio presidente.
Para se eleger, Dilma viveu a campanha eleitoral mais nefasta do Brasil pós-ditadura. Teve que enfrentar uma grande aliança que uniu seu maior adversário aos principais grupos de comunicação do País. Respondeu a uma pauta de discussões que ultrapassou os limites do conservadorismo – a religião e o aborto tomaram um espaço que jamais poderiam ter ocupado numa eleição de um país democrático.
Enfrentou todo o tipo de preconceitos, principalmente o de gênero: sempre foi qualificada pelos opositores como uma simples marionete de Lula. Sua coragem de enfrentar a ditadura militar no apogeu da juventude foi atacada incessantemente como sinônimo de terrorismo.
Teve de se explicar também sobre problemas reais do seu governo, de seu partido e aliados. Problemas que terá de enfrentar e resolver na sua administração para ganhar a confiança daqueles que não conquistou agora.
Por fim, enfrentou suas próprias fragilidades e limitações, amplificadas pela comparação permanente com Lula, o maior fenômeno da história política do país e entre os maiores do mundo.
A população brasileira quer agora que ela continue o combate à pobreza e à miséria no País, quer um País mais justo. Parabéns e boa sorte, presidenta Dilma Rousseff.
E você leitor, o que achou desta campanha e do resultado final? Escreva aqui sua avaliação
sábado, 30 de outubro de 2010
Fiscalização e assessoria jurídica no dia das eleições
Visualizado 1283 vezes
A campanha de Dilma Rousseff está mobilizando voluntários para fiscalizar as zonas eleitorais em todo o país. Esse é um trabalho fundamental no dia da votação, pois ajuda a garantir o pleno exercício da nossa democracia. Quem tiver interesse em contribuir pode conferir no nosso mapa o telefone para contato em cada estado.
Outra ação fundamental no dia da votação é a assessoria jurídica. A nossa campanha dispõe de profissionais qualificados em todos os estados para prestar esse serviço. Eles estão disponíveis para receber denúncias e orientar eleitores.
Portanto, se você quiser ter certeza sobre algum procedimento no dia da eleição ou se deparar com alguma atividade ilegal - como boca de urna, telemarketing do mal, panfletos apócrifos, transporte de eleitores e compra de votos, entre outros -, entre em contato com o assessor jurídico no seu estado.
Outra ação fundamental no dia da votação é a assessoria jurídica. A nossa campanha dispõe de profissionais qualificados em todos os estados para prestar esse serviço. Eles estão disponíveis para receber denúncias e orientar eleitores.
Portanto, se você quiser ter certeza sobre algum procedimento no dia da eleição ou se deparar com alguma atividade ilegal - como boca de urna, telemarketing do mal, panfletos apócrifos, transporte de eleitores e compra de votos, entre outros -, entre em contato com o assessor jurídico no seu estado.
Cartilha
Uma cartilha com orientações e dicas, com o objetivo de servir de base para atuação dos militantes e fiscais, além de esclarecer dúvidas, foi especialmente elaborada pelos nossos assessores jurídicos. Clique aqui para baixá-la.
Uma cartilha com orientações e dicas, com o objetivo de servir de base para atuação dos militantes e fiscais, além de esclarecer dúvidas, foi especialmente elaborada pelos nossos assessores jurídicos. Clique aqui para baixá-la.
Confira no mapa os números de telefone de cada estado:
Visualizar Mapa de Contatos - Fiscalização e Denúncias em uma janela maior
Ibope: Dilma lidera com 56% dos votos válidos
Do G1
O Ibope divulgou neste sábado (30) a última pesquisa de intenção de voto para a disputa presidencial antes da votação deste domingo (31). O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S. Paulo".
Foram realizadas 3.010 entrevistas em 203 municípios neste sábado (30). O número de registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 37.917/2010.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A seguir, os resultados:
VOTOS VÁLIDOS (excluindo brancos, nulos e indecisos)
Dilma Rousseff (PT): 56%
José Serra (PSDB): 44%
VOTOS TOTAIS
Dilma Rousseff: 52%
José Serra: 40%
Brancos e nulos: 5%
Indecisos: 3%
Foram realizadas 3.010 entrevistas em 203 municípios neste sábado (30). O número de registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 37.917/2010.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A seguir, os resultados:
VOTOS VÁLIDOS (excluindo brancos, nulos e indecisos)
Dilma Rousseff (PT): 56%
José Serra (PSDB): 44%
VOTOS TOTAIS
Dilma Rousseff: 52%
José Serra: 40%
Brancos e nulos: 5%
Indecisos: 3%
Lula e Alencar: bastidores de uma foto comovente
Na sexta-feira, 29 de outubro, quando o fotógrafo Ricardo Stuckert entrou no quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o presidente Lula já estava conversando com seu vice, José Alencar, internado para mais uma sessão de quimioterapia. “Meu helicóptero chegou dez minutos depois”, explicou Stuckert ao blog. No quarto também estavam Marisa, mulher do vice-presidente, e o médico Roberto Kalil.
Lula e Alencar conversavam sobre a festa de aniversário do presidente, realizada na quarta-feira, em Brasília. Na ocasião, foi exibido um DVD com depoimentos de um neto de Lula, de sua mulher, Marisa Letícia, e do vice, que emocionaram o presidente. Alencar, desanimado, lamentou não ter participado da festa, por ter reiniciado, mais uma vez, o tratamento contra o câncer.
Foi quando Lula disse: “Zé, nós subimos a rampa (do Palácio do Planalto) juntos, nós vamos descer juntos”. Alencar se emocionou, levando o presidente a fazer o gesto captado pela lente do fotógrafo.
Stuckert acompanha Lula como fotógrafo da Presidência desde o primeiro dia de governo e vai deixar o Planalto no dia 1º de janeiro de 2011.
Bispo divulga carta de apoio a Dilma
Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada. Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos”. A carta é do bispo de Caçador, Dom Luiz Carlos Eccel.
Dom Luiz Carlos Eccel
O bispo Dom Luiz Carlos Eccel, de Caçador, Santa Catarina, divulgou ontem (29), uma carta de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Segue a íntegra da carta que elogia a recente fala do Papa Bento XVI aos bispos brasileiros e diz que ela aponta para a defesa da vida:
Já havia lido o discurso do Papa Bento XVI, aos Bispos do Maranhão, em visita ad limina apostolorum.
Muito interessante o discurso do Papa. Ele não pode deixar de cumprir sua missão de Pastor Universal, exortando o Povo de Deus, especialmente no que diz respeito à defesa da VIDA.
O Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado.
Quando digo que o povo é religioso é porque está disposto a fazer a Vontade de Deus e não somente dizer: Senhor, Senhor…, como às vezes se pretende, de maneira especial dentro da própria Igreja. Existem facções sociais, políticas e religiosas especializadas em fazer lavagem cerebral, deixando as pessoas sem convicções, mas com obsessões, e com a consciência invencivelmente errônea. Ficam semelhantes aos grãos de pipoca que levados ao fogo não estouram, e com mais fogo, mais duros ficam. Tornam-se donas da “verdade”.
Estão até manipulando o texto do Papa, para justificar a sede do poder. (cf. http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp) É a Vontade de Deus que nos salva e não a nossa, e sobre isto precisamos sempre nos exortar mutuamente, como diz o Apóstolo São Paulo. Portanto, que nossa fé seja sempre vivificada pela mútua exortação. Pode ocorrer de nos esquecermos que somos todos peregrinos caminhando para a Casa do Pai, e quando lá chegarmos, poderemos ouvir de Jesus o seguinte: “Afastai-vos de mim, vós que praticastes a injustiça, a maldade” (Lc13,27). Creio que ninguém vai querer ouvir isto naquela hora. Seu passaporte está em dia? Pode ter certeza de que a eternidade existe…
Assim, busquemos alimentar nossa fé, sem esquecer, como diz o Papa, que ela deve implicar na política. A fé sem obras é morta, diz a Escritura Sagrada. E uma das obras que deve provir da fé, é o nosso voto consciente em pessoas que vão governar para o bem comum, respeitando a vida em todas as suas etapas e dimensões.
No mesmo dia em que li o discurso do Papa, assistindo ao telejornal, à noite, escutei o pronunciamento da candidata e do candidato à presidência do Brasil a respeito do discurso do Papa. Ambos concordaram com as Palavras do Papa, dizendo que é missão dele exortar para uma vida coerente com os valores da fé e da moral, e que as palavras do Papa valem para todas as pessoas de fé, no mundo inteiro.
O Papa falou, também, que o voto deve estar a serviço da construção de uma sociedade justa e fraterna, defensora vida.
Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.
Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada.
Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos” (Jo 15,13). Obrigado Santo Padre por suas sábias palavras! A Dilma é a resposta para as nossas inquietações a respeito da vida.
Quem sofreu nos porões da ditadura, não mata. Mas teve gente que matou a vida no seu ventre para fugir da ditadura, e portanto não deveria se comportar como os fariseus, que jogam pedras, sabendo-se pecadores. E Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem entregar sua vida por causa de mim, vai salvá-la”(Mt 10,39)
Vamos fazer o nosso Brasil avançar ainda mais, com Dilma, que já provou ser coerente, competente e comprometida com a VIDA. O dragão devastador não pode voltar ao poder.
Deus abençoe os leitores e eleitores, governos e governados. Saúde e paz a todos (as)!
Tudo o que você me desejar, eu lhe desejo cem vezes mais. Obrigado.
Caçador, 28 de outubro de 2010
Dom Luiz Carlos Eccel
Bispo Diocesano de Caçador – Santa Catarina
Já havia lido o discurso do Papa Bento XVI, aos Bispos do Maranhão, em visita ad limina apostolorum.
Muito interessante o discurso do Papa. Ele não pode deixar de cumprir sua missão de Pastor Universal, exortando o Povo de Deus, especialmente no que diz respeito à defesa da VIDA.
O Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado.
Quando digo que o povo é religioso é porque está disposto a fazer a Vontade de Deus e não somente dizer: Senhor, Senhor…, como às vezes se pretende, de maneira especial dentro da própria Igreja. Existem facções sociais, políticas e religiosas especializadas em fazer lavagem cerebral, deixando as pessoas sem convicções, mas com obsessões, e com a consciência invencivelmente errônea. Ficam semelhantes aos grãos de pipoca que levados ao fogo não estouram, e com mais fogo, mais duros ficam. Tornam-se donas da “verdade”.
Estão até manipulando o texto do Papa, para justificar a sede do poder. (cf. http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp) É a Vontade de Deus que nos salva e não a nossa, e sobre isto precisamos sempre nos exortar mutuamente, como diz o Apóstolo São Paulo. Portanto, que nossa fé seja sempre vivificada pela mútua exortação. Pode ocorrer de nos esquecermos que somos todos peregrinos caminhando para a Casa do Pai, e quando lá chegarmos, poderemos ouvir de Jesus o seguinte: “Afastai-vos de mim, vós que praticastes a injustiça, a maldade” (Lc13,27). Creio que ninguém vai querer ouvir isto naquela hora. Seu passaporte está em dia? Pode ter certeza de que a eternidade existe…
Assim, busquemos alimentar nossa fé, sem esquecer, como diz o Papa, que ela deve implicar na política. A fé sem obras é morta, diz a Escritura Sagrada. E uma das obras que deve provir da fé, é o nosso voto consciente em pessoas que vão governar para o bem comum, respeitando a vida em todas as suas etapas e dimensões.
No mesmo dia em que li o discurso do Papa, assistindo ao telejornal, à noite, escutei o pronunciamento da candidata e do candidato à presidência do Brasil a respeito do discurso do Papa. Ambos concordaram com as Palavras do Papa, dizendo que é missão dele exortar para uma vida coerente com os valores da fé e da moral, e que as palavras do Papa valem para todas as pessoas de fé, no mundo inteiro.
O Papa falou, também, que o voto deve estar a serviço da construção de uma sociedade justa e fraterna, defensora vida.
Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.
Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada.
Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos” (Jo 15,13). Obrigado Santo Padre por suas sábias palavras! A Dilma é a resposta para as nossas inquietações a respeito da vida.
Quem sofreu nos porões da ditadura, não mata. Mas teve gente que matou a vida no seu ventre para fugir da ditadura, e portanto não deveria se comportar como os fariseus, que jogam pedras, sabendo-se pecadores. E Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem entregar sua vida por causa de mim, vai salvá-la”(Mt 10,39)
Vamos fazer o nosso Brasil avançar ainda mais, com Dilma, que já provou ser coerente, competente e comprometida com a VIDA. O dragão devastador não pode voltar ao poder.
Deus abençoe os leitores e eleitores, governos e governados. Saúde e paz a todos (as)!
Tudo o que você me desejar, eu lhe desejo cem vezes mais. Obrigado.
Caçador, 28 de outubro de 2010
Dom Luiz Carlos Eccel
Bispo Diocesano de Caçador – Santa Catarina
Depois do debate da Globo, indecisos cercaram Dilma para fotos com ela. Até Kamel, mulher e filha tiraram a sua
Como uma imagem vale mais do que mil palavras….
O fim de debate para Serra ontem foi melancólico. Era sua última oportunidade, mas ele provou ser apenas o que é, um medíocre, que só chegou aonde chegou por usar de golpes contra os adversários, como no caso Lunus, pelo apoio incondicional do PIG, pelas calúnias e mutretas armadas por sua campanha, aliada às áreas mais reacionárias da sociedade, a direitona mais safada das igrejas, o masoquismo religioso do Opus Dei. Tudo com o apoio financeiro inestimável do pessoal que queria a vitória de Serra para que ele nomeasse novo engavetador-mor para sentar em cima de todas as mutretas, falcatruas e roubalheiras das privatizações.
Mas, como se não bastasse isso - seu desempenho pífio no debate - Serra teve que assistir, isolado, à plateia de indecisos que participaram do programa correr para os braços de Dilma. Até, humilhação das humilhações, Kamel, esposa e filha tiraram uma foto com nossa futura presidenta (com "a" mesmo), segundo informa o Blog Marinildadas Cansadão:
O AlibabáKamel precisou pedir à Dilma pra sair, hihihihihihihihi, tava atrapalhando os "indecisos" do Seu Zé!
Contaram (@alansilva1974) no twitter bastidores do debate: o Ali Kamel ficou desesperado, chamando ate Joao Santana para "apartar" Dilma dos "indecisos"! Aí alguém comentou: "O melhor do debate foi o Ali Kamel pedindo para a Dilma sair".
E o outro respondeu: Não, o melhor foi ele levar mulher e filha, linda, para tirar foto com Dilma!
Pode uma coisa dessas? O gajo nos violenta todo dia e no debate final bajula a Dilma! Pensei, a família deve ter pedido (tipo você não gosta de mim, mas sua filha gosta). Mas não, segundo o @alansilva1974, ele queria ter uma foto com a futura presidenta.
E mais: "Enquanto Dilma estava nos braços dos 'indecisos', Zerra ficou escanteado, até constrangido esperando para ir para a coletiva!"
Toma, Serra! Toma, Globo!
Garanto que por essa nem a Dilma esperava. É o medo das Lei dos Meios de Comunicação...
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A carta de Dilma contra as calúnias
Enviado por luisnassif, sab, 30/10/2010 - 00:36
Por João Maria Fernandes de S...
Dilma divulga carta contra calúnias
http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/10/dilma-divulg...
G1 - Dilma divulga carta para 'pôr um fim definitivo à campanha de calúnias' - notícias em Eleições 2010
Dilma divulga carta para 'pôr um fim definitivo à campanha de calúnias'
Religiosos assinam outro documento pró-candidata com a mesma finalidade.
MST lança manifesto em que pede apoio à eleição de Dilma no segundo turno.
Robson Bonin Do G1, em Brasília
imprimir
A campanha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, divulgou nesta sexta-feira (15) carta intitulada "Mensagem da Dilma", na qual ela reafirma posições sobre aborto, liberdades religiosas, garantias constitucionais e preceitos que não afrontem a família.
saiba mais
No documento, Dilma manifesta o desejo de pôr “um fim definitivo” aos boatos que envolvem sua campanha, “para não permitir que prevaleça a mentira com arma em busca de votos”
A exemplo de Dilma, um grupo de 168 pessoas, na maioria religiosos, além de professores, intelectuais e artistas, também divulgou nesta sexta manifesto contra boatos e a favor da candidatura da petista [veja mais abaixo].
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra também distribuiu nesta sexta (15) manifesto de apoio à candidata intitulado "Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil". [leia ao final deste texto].
Na carta, Dilma aponta "adversários eleitorais" como responsáveis pela difusão de "calúnias e boatos". “Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais”, diz Dilma na carta.
Em seis pontos abordados na carta, a candidata do PT defende a liberdade religiosa, afirma ser “pessoalmente contra o aborto” e se compromete, se eleita, “não propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto”.
Dilma também afirma que não irá adotar, em um eventual governo, medidas que venham a alterar ‘temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A candidata petista faz referência ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) e afirma que, se eleita, não irá promover iniciativas que “afrontem a família”.
Sobre o Projeto de Lei Complementar 122, em tramitação no Senado, que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais, Dilma afirma que "será sancionado no meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil.”
A petista se compromete a fazer um governo “que tenha a família como foco principal”. “Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o país, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana”, afirma Dilma.
Ao final do documento, Dilma pede apoio dos eleitores para “deter a sórdida campanha de calúnias".
"Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela propriedade e pela convivência entre todas as pessoas.”
Carta divulgada pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/G1)Carta divulgada pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/G1)
Religiosos assinam outro documento pró-candidata com a mesma finalidade.
MST lança manifesto em que pede apoio à eleição de Dilma no segundo turno.
Robson Bonin Do G1, em Brasília
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A campanha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, divulgou nesta sexta-feira (15) carta intitulada "Mensagem da Dilma", na qual ela reafirma posições sobre aborto, liberdades religiosas, garantias constitucionais e preceitos que não afrontem a família.
saiba mais
No documento, Dilma manifesta o desejo de pôr “um fim definitivo” aos boatos que envolvem sua campanha, “para não permitir que prevaleça a mentira com arma em busca de votos”
A exemplo de Dilma, um grupo de 168 pessoas, na maioria religiosos, além de professores, intelectuais e artistas, também divulgou nesta sexta manifesto contra boatos e a favor da candidatura da petista [veja mais abaixo].
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra também distribuiu nesta sexta (15) manifesto de apoio à candidata intitulado "Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil". [leia ao final deste texto].
Na carta, Dilma aponta "adversários eleitorais" como responsáveis pela difusão de "calúnias e boatos". “Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais”, diz Dilma na carta.
Em seis pontos abordados na carta, a candidata do PT defende a liberdade religiosa, afirma ser “pessoalmente contra o aborto” e se compromete, se eleita, “não propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto”.
Dilma também afirma que não irá adotar, em um eventual governo, medidas que venham a alterar ‘temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A candidata petista faz referência ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) e afirma que, se eleita, não irá promover iniciativas que “afrontem a família”.
Sobre o Projeto de Lei Complementar 122, em tramitação no Senado, que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais, Dilma afirma que "será sancionado no meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil.”
A petista se compromete a fazer um governo “que tenha a família como foco principal”. “Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o país, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana”, afirma Dilma.
Ao final do documento, Dilma pede apoio dos eleitores para “deter a sórdida campanha de calúnias".
"Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela propriedade e pela convivência entre todas as pessoas.”
Carta divulgada pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/G1)Carta divulgada pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/G1)
Religiosos
Em comunicado divulgado pela assessoria da campanha de Dilma, juntamente com a carta assinada pela candidata, um grupo de 168 religiosos, intelectuais, professores universitários, políticos e artistas manifesta “fidelidade à verdade” e faz a defesa da candidatura petista.
Sete bispos encabeçam a lista dos que assinam o documento: dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás Velho (GO); dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Felix do Araguaia (MT); dom Demetrio Valentini, bispo de Jales (SP); dom Luiz Eccel, bispo de Caçador (SC); dom Antonio Possamai, bispo emérito de Rondônia; dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana (MA); e dom Xavier Gilles, bispo emérito de Viana (MA).
Confira abaixo a íntegra do documento:
"Se nos calarmos, até as pedras gritarão
Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como ‘contrárias à moral’. A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: ‘se nos calarmos, até as pedras gritarão!’ (Lc 19, 40).
2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:
3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.
4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).
5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.
6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.
7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.”
MST
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), juntamente com o a Via Campesina Brasil, divulgou nesta sexta-feira (15) um manifesto intitulado "Vamos eleger Dilma Rousseff presidenta do Brasil", de apoio à candidata do PT no segundo turno da eleição.
Os movimentos sociais afirmam que, no primeiro turno, atuaram com o objetivo de "lutar para que não houvesse a vitória eleitoral de uma proposta neoliberal, representada pelo candidato do PSDB, José Serra."
De acordo com o manifesto, os "avanços do governo Lula em direção a propostas democrático-populares defendidas pelo MST e Vila Campesina Brasil foram insuficientes".
O documento diz que causa "preocupação" o arco de alianças da candidatura Dilma Rousseff, "com forças políticas que se contrapõem a essas demandas sociais".
Mas julgam o candidato José Serra um "inimigo" devido ao "caráter anti-democrático e anti-popular dos partidos que compõem sua aliança eleitoral e por sua personalidade autoritária."
"Precisamos derrotar a candidatura Serra, que representa as forças direitistas e fascistas do país", diz o manifesto.
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