terça-feira, 19 de outubro de 2010

Universidade Pública Federal e desenvolvimento: o debate que Serra não quer

Eduardo Girão Santiago *
Adital -
Na condição de professor universitário há mais de 20 anos, observo que a política do Governo Lula para o ensino superior no País se concretizou com a instalação de 14 novas Universidades Públicas Federais, a implantação da Universidade Aberta do Brasil, a instalação de 100 Campi de Universidades Públicas Federais e dezenas de Escolas Técnicas e Institutos Federais de Educação em todo o território nacional. Em seu conjunto, tal política começa a impactar positivamente em todas as regiões brasileiras. Graças ao REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que significou a expansão física, acadêmica e pedagógica da Rede Federal de Educação Superior, mediante concursos públicos e expressivo aumento de vagas nos cursos de graduação, a Universidade Pública Federal chegou ao interior do Brasil, em territórios e municípios carentes do conhecimento, da ciência e tecnologia e da formação de recursos humanos profissionalizados para o mercado de trabalho.
Alguém já se deu conta do que significa esta política para o Brasil? Na região do Cariri Cearense, por exemplo, plena de possibilidades de desenvolvimento turístico, cultural e rica em recursos naturais, o Campi da Universidade Federal do Ceará, com os seus cursos de medicina, engenharia, agronomia, design industrial, comunicação social, dentre outros, vem se constituindo instrumento privilegiado para contribuir com o desenvolvimento regional em médio prazo. A revolucionária política do Governo Lula para a educação do País significou a democratização do acesso à formação de nível superior para milhares de jovens de todas as classes sociais residentes no interior que não mais precisam se deslocar para os grandes centros urbanos, redutos tradicionais das poucas e rigorosamente seletivas universidades públicas. Atualmente, estes jovens permanecem em seus territórios, junto às suas famílias, prospectando outros rumos para o desenvolvimento regional e local. Com a Universidade Pública levada aos rincões do Brasil, o horizonte cultural e mudancista dessas áreas avança para o futuro.
Agora, reflitamos sobre este processo que ocorre em quase todo o território nacional e o associemos a outros programas do Governo Lula, como: Territórios da Cidadania, Luz para Todos, Bolsa Família, Programa Nacional de Agricultura Familiar e outros. Como resultado, já se observam a estruturação de parques tecnológicos, a expectativa de instalação de novas empresas, a sensível melhora na formação de professores da rede de ensino básico e médio, a formação e aprimoramento dos profissionais da saúde pública, a sensibilização para a preservação ambiental e a possibilidade de projetos de pesquisa e extensão universitárias articulados com o setor produtivo local. Sem falar no já visível crescimento das cidades do interior, onde se instalam campi e novas Universidades Federais. Mais construção civil, mais lazer e entretenimento, novos empregos, elevação da massa salarial e mais distribuição de renda. Enfim, mais esperança e menos desigualdade social. É a expressão maior do slogan "UM PAÍS PARA TODOS", porque agora, não é somente São Paulo que tem a sua rede de universidades públicas interiorizada, mas o Brasil!
Em seu programa eleitoral, o candidato Serra não tem falado nas Universidades Públicas Federais. Vem insistindo na idéia vaga de "fortalecer o ensino técnico profissionalizante, como já é feito em São Paulo". Aliás, Serra projeta um País a partir de São Paulo, como se a verdade, a virtude e a resolução de todos os problemas morassem ali. E isto preocupa muito, porque o Brasil é diverso. É uma Federação.
Portanto, é conveniente que recordemos qual foi a política para as Universidades Públicas do Governo FHC, do qual Serra era ministro do Planejamento. Desmonte total, falta de verbas, greves provocadas e estimuladas para esvaziar a luta pelo ensino público e gratuito e para desmoralizá-las. Ou seja, debilitá-las para promover a privatização do setor. Isso não pode voltar.
Assim, vamos lutar para manter e fortalecer a política de reconstrução da Universidade Pública Federal e sua interiorização para o desenvolvimento do Brasil. Não vamos permitir retrocesso. Vamos dar continuidade ao que o Governo Lula implantou. O caminho é DILMA PRESIDENTE.
Nota da edição: Leia também o Manifesto de Reitores das Universidades Federais à Nação Brasileira

* Professor Adjunto do Departamento de Ciências Sociais. Universidade Federal do Ceará

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